Diogo Kammers

Análise DNACX

Reclamação no comércio eletrônico é mais resolvida que a média?

Comércio eletrônico é um dos setores mais reclamados do Brasil. O que a base do Consumidor.gov não diz de cara é se essas reclamações terminam resolvidas mais ou menos que a média.

· Fonte pública, e a apuração pode ser refeita pelos passos descritos abaixo.

A resposta

Sim, um pouco acima. Nos últimos 12 meses com dado disponível (2024-03 a 2025-03), 58,8% das reclamações avaliadas contra empresas de comércio eletrônico terminaram com o consumidor declarando o problema resolvido, contra 52,1% na média de todos os setores que o Consumidor.gov monitora. Na janela inteira disponível (2014-05 a 2025-03), a taxa do setor é 55,6%, sobre 352.835 reclamações avaliadas.

Por que esta página não compara empresa a empresa

As outras páginas desta família dividem a reclamação de cada empresa pelo número de clientes que um regulador publica: o Banco Central para bancos, a ANS para planos de saúde, a Anatel para telecom, a ANEEL para energia, a ANAC para companhias aéreas. Essa divisão é o que torna justo comparar uma empresa grande com uma pequena.

Para comércio eletrônico não existe uma fonte aberta e confiável de clientes ou pedidos por loja. O que existe é tráfego de site, medido por consultorias privadas, sem licença aberta e sem cobrir a base real de clientes de cada empresa (pesquisado em 15/09/2026). Um ranking por volume bruto de reclamação, sem esse ajuste, mediria só o tamanho da empresa, e não a qualidade do atendimento, o oposto do que a família inteira existe para mostrar.

Por isso esta página fica no nível do setor: quanto do que chega ao Consumidor.gov contra lojas online termina resolvido, mês a mês, comparado com a média de todos os setores que a base monitora.

O que os últimos 12 meses mostram

Na janela de 2024-03 a 2025-03, o comércio eletrônico teve 37.583 reclamações avaliadas. Delas, 58,8% terminaram com o consumidor declarando o problema resolvido, contra 52,1% na média de todos os setores monitorados na mesma janela.

Na série inteira disponível (2014-05 a 2025-03), a taxa do setor é 55,6%, sobre 352.835 reclamações avaliadas, próxima da taxa geral histórica de 58,5%, o que sugere que o resultado dos últimos 12 meses não é um pico isolado.

A taxa de resolução, ano a ano

AnoReclamações avaliadasResolvidas
20143.65551,7%
201511.77143,0%
201615.85335,5%
201721.94448,6%
201828.88054,0%
201941.68554,4%
202030.49658,1%
202157.93762,4%
202247.25557,1%
202348.62256,8%
202434.11258,5%
202510.62557,3%

Anos com menos de 500 reclamações avaliadas no setor foram descartados, porque ali a taxa é ruído.

O que isso significa para quem vende online

Três usos diretos, na ordem em que costumam aparecer numa conversa sobre atendimento.

  • Uma referência pública para comparar. Se a sua taxa de resolução de reclamação fica abaixo de 58,8%, isso é um sinal contra a média do próprio setor, não contra uma expectativa arbitrária.
  • O setor não é o vilão do atendimento ao cliente. A crença comum é que e-commerce resolve pior que outros setores regulados. O dado não sustenta isso: a taxa aqui é maior que a média de todos os setores monitorados pela mesma base.
  • Resolvida não é satisfeita. O indicador mede declaração de resolução, não nota de satisfação. Uma taxa alta de resolução não substitui pesquisa de CSAT ou NPS própria.

Pode usar estes dados

A base é CC BY 4.0: uso comercial permitido, com atribuição. Pode republicar qualquer número desta página, e o texto de citação abaixo já vem pronto. Os arquivos completos estão em CSV e JSON.

Para citar esta página

CC BY 4.0
DNACX. Reclamação no comércio eletrônico é mais resolvida que a média? 15 de setembro de 2026. Disponível em: https://dnacx.online/reclamacao-por-cliente/comercio-eletronico. Dados do Consumidor.gov.br, licença CC BY 4.0.

Parágrafo pronto para republicar

CC BY 4.0
No comércio eletrônico, medido pela DNACX sobre a base aberta do Consumidor.gov.br, 58,8% das reclamações avaliadas nos últimos 12 meses com dado terminam resolvidas, contra 52,1% na média de todos os setores monitorados. A metodologia e a base completa estão em https://dnacx.online/reclamacao-por-cliente/comercio-eletronico.

HTML com o link já dentro

CC BY 4.0
<blockquote>
  <p>No comércio eletrônico, 58,8% das reclamações avaliadas terminam resolvidas nos últimos 12 meses, contra 52,1% na média de todos os setores.</p>
  <footer>Fonte: <a href="https://dnacx.online/reclamacao-por-cliente/comercio-eletronico">DNACX, Reclamação no comércio eletrônico é mais resolvida que a média?</a>, sobre dados do Consumidor.gov.br. CC BY 4.0.</footer>
</blockquote>

Como a conta foi feita

A fonte é Consumidor.gov.br (Senacon/MJSP), base completa, recuperada via Internet Archive (fonte original dados.mj.gov.br fora do ar desde 10/09/2026). O recorte é o segmento que a própria base do Consumidor.gov chama de "Comércio Eletrônico", lido linha a linha desde 2014-05. A taxa é reclamações declaradas resolvidas dividido pelas reclamações avaliadas. Reclamação finalizada sem avaliação não entra em nenhum dos dois lados, que é como o indicador público define a taxa.

Sem coluna de segmento de jan a jul/2020 (limitação da fonte). Última captura disponível na base local: março de 2025 (dados.mj.gov.br saiu do ar antes de publicar meses mais recentes no Internet Archive).

Não há ranking por empresa nesta página, pelo motivo já explicado acima: sem fonte aberta de clientes/pedidos por loja, um ranking por volume bruto mediria tamanho, não qualidade.

Perguntas frequentes

Reclamação no comércio eletrônico é mais resolvida que a média?

Sim, um pouco acima. Nos últimos 12 meses com dado disponível (2024-03 a 2025-03), 58,8% das reclamações avaliadas contra empresas de comércio eletrônico terminaram com o consumidor declarando o problema resolvido, contra 52,1% na média de todos os setores que o Consumidor.gov monitora. Na janela inteira disponível (2014-05 a 2025-03), a taxa do setor é 55,6%, sobre 352.835 reclamações avaliadas.

Por que esta página não tem ranking entre lojas online, como as outras da família têm entre bancos ou operadoras?

Porque não existe uma fonte aberta e confiável do número de clientes ou pedidos de cada loja online, que é o que as outras páginas usam para dividir a reclamação de forma justa entre empresas de tamanhos diferentes. Um ranking por volume bruto de reclamação premiaria só quem é menor, sem dizer nada sobre qualidade de atendimento.

De onde vem esse número?

Da base aberta do Consumidor.gov.br (Senacon/MJSP), no recorte que a própria base chama de "Comércio Eletrônico". A janela vai de 2014-05 a 2025-03: Sem coluna de segmento de jan a jul/2020 (limitação da fonte). Última captura disponível na base local: março de 2025 (dados.mj.gov.br saiu do ar antes de publicar meses mais recentes no Internet Archive).

Reclamação resolvida significa que o cliente ficou satisfeito?

Não necessariamente. O indicador mede se o consumidor declarou o problema resolvido, não uma nota de satisfação. Uma reclamação pode ser "resolvida" com um reembolso que o cliente aceitou sem gostar do processo.